Favor prestar atenção
Nas coisas que vou dizer:
Um homem sem coração
É alma sem salvação,
É dente posto a doer.
Mas liberto da razão,
Só entregue aos sentimentos
É um arroz sem feijão,
É tal qual um esporão,
No lombo de um jumento.
Veja só esta história
Que começo a lhe contar.
Nada ela tem de glória,
Mas pra sair da memória,
Pense! Como vai custar.
Tudo começou do nada,
Em plena segunda-feira.
Terminou de madrugada,
Após uma longa jornada
E trezentas saideiras.
Ia eu no meu caminho,
Que nem um passo pro ninho,
Depois de se alimentar.
Quando vibra no meu bolso,
Me assustando, esse troço,
O telefone celular.
Era a turma do brega,
A que nunca se entrega,
bebe até um se acabar.
Chamando a minha pessoa,
Caso eu tivesse à toa,
P'ra vida comemorar.
Pensei quase três segundos,
Depressa mudei meu rumo
E disse: Mal num fará
Tomar uma dosezinha
Coisa pouca, miudinha
Pru mode só esquentar.
Mal sabia, criatura
Que seria uma aventura
pelas ruas da cidade.
Os bregueiros me contaram
que 20 cervas sobraram
Da ultima festividade.

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